HOME

Críticas

Luisa Libardi alcança uma visão real densa de emoções e livre de uma evolução da fantasia

 

Acervo Artístico - Emanuel von Lauenstein Massarani

O elemento principal na obra de Luisa Libardi é a recusa ao anedótico e ao detalhe particular em beneficio de uma atmosfera que palpita. O objetivo que persiste em suas telas é tratado numa dimensão latu sensu, num espaço dinâmico, onde o sentimento da pintora e as sensações do observador se encontram e se fundem na critica e na penetração da obra.
A artista conseguiu elaborar uma interessante fusão entre o fazer pós-impressionista e certos conhecidos movimentos e estruturações abstracionistas, no desejo de alcançar a visão de uma realidade densa de emoções e livre de todas as possibilidades de evolução da fantasia. Seja a construção, seja a cor com a qual a artista piracicabana dá vida às imagens que alcançam o seu espírito levam o carimbo da originalidade e o que mais conta, testemunham uma maturidade lírica do sentimento.
As cores claras explodem não só cromaticamente, mas também como ato de confiança na vida, como esperança e profecia do futuro. Podemos dizer que quanto mais se desgasta a forma, mais evidentes se tornam o tom e o contraste, na tentativa de fixar um instante daquela emoção que a natureza estimula, mas não retém, uma emoção religiosa que, nos dias hoje, não pode ser que sentimental, romântica e apocalíptica.
Além de dar ênfase ao transformar das coisas e do ser, "Socas de Canas II" e "Cores do Poente", obras doadas ao Acervo Artístico da Assembléia Legislativa, são composições que "vivem" na velatura da cor e na transparência dos elementos da composição, acentuando a sensibilidade da artista com relação ao desenvolvimento do tema de sua predileção: a cana-de-açúcar.

A Artista

Luisa Libardi - pseudônimo artístico de Maria Luisa Scudeller Libardi - nasceu em Piracicaba em 1958. Formou-se em Engenharia Civil em 1981. Realizou cursos de pintura com os consagrados artistas Noberto Stori, Ida Zami, Sarah Goldman Belz, entre outros. Durante dois anos, juntamente com os artistas Norberto Stori e Magliani, participou de um curso de pintura com modelo vivo.
Realizou as seguintes exposições individuais: Galeria SESC, Piracicaba; Centro Cultural Professor Daud Jorge Simão, São José do Rio Preto (1988); "Instante de Luz", Grande Hotel São Pedro, São Pedro; Museu Luiz de Queiroz, Piracicaba (1989); "Rimas Coloridas", Galeria Colombo, Piracicaba (1990). Casa do Povoador, Piracicaba (1991); Centro Cultural da ESALQ, Piracicaba (1993); Campus Taquaral, UNIMEP Piracicaba; Galeria de Artes Anglo, Rio Claro (1994); Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (1996); Galeria Engenho Central, Piracicaba (1998 e 2003); Parque Avenida Galeria de Arte, SP (2004).


Dentre as exposições coletivas destacam-se: Salão de Belas Artes de Piracicaba (1986, 1989, 1990, 1991, 1993 e 1994); Semana Cultural de Piracicaba (1987 e 1988); Coletiva de Artes Plásticas de Araraquara (1988, 1989 e 1990); Salão de Arte Contemporânea de São José do Rio Preto (1989, 1990 e 1991); XVI; IV Mostra de Artes Plásticas de Itatiba; Museu Nacional de Etnologia e Folclore; Salão de Artes "Liwanacu"- Museu Nacional de Arqueologia, La Paz, Bolívia (1989); Exposição de Artes Plásticas de São João da Boa Vista (1989 e 1993); Salão Oficial de Belas Artes Plásticas de Matão (1989 e 1991); Salão Limeirense de Arte Contemporânea, Limeira (1989, 1991 e 1992); XXV Salão Arararense de Artes Plásticas; I Salão de Artes Plásticas de Cerquilho; VI Salão de Artes Plásticas de Itanhaém (1990); Salão de Artes Plásticas de Rio Claro (1990 e 1996); "Busca", no Hall do Teatro Municipal (1991); "Técnicas, Tendência e Confrontos 140 Anos de Arte", Hall do Teatro Municipal Dr. Losso Neto, Piracicaba; Espaço Cultural Casper Líbero, SP; Imprensa Oficial do Estado, SP (1992); Salão de Artes de São Bernardo do Campo, SP (1992 e 1993); Salão de Abril, Franca, SP; Salão de Belas Artes de Araras, SP; II Sindcon Artes, Campinas, SP; XXXIII Salão Araraense de Artes Plásticas (1993); I Salão Vinhedense de Artes Plásticas, SP; XXIII Salão de Arte Contemporânea de Santo André, SP (1995); Espaço Cultural da CESP em Leme, SP; XIV Salão de Artes Plásticas de Rio Claro, SP; V Salão de Artes Plásticas de Avaré, SP; Galeria Jardim Contemporâneo, Ribeirão Preto, SP (1996); Casa do Povoador, Piracicaba (1997 e 2001); Salão de Artes de Itajaí, SC (1997); Espaço de Arte Marilu e Centro Cultural Gaia, Piracicaba (1998 e 1999); Galeria SESC, Piracicaba (1998); Salão do Século, Piracicaba (2000); "Um olhar de artista sobre o Engenho Central", Piracicaba; "Grupo 7 + 2", Casa do Povoador, Piracicaba (2001); Salão Barbarense de Artes Plásticas, Santa Bárbara d'Oeste (2001 e 2002); "Grupo 7 + 2" (Con)vivendo com o HIV", UNIMEP, Piracicaba; "Grupo 7 + 2", Galeria SESC, São Carlos, SP (2002); Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba (2003) e Espaço Cultural Blue Life, SP (2004).



Obra Socas de Canas II


Obra Cores do Poente

 


Crítica de Eraldo Di Vita

"Seu lado profissional dirije-se à descomposição das "canas-de-açúcar", um trabalho iniciado com a aquarela, encantado e fabuloso, passando em seguida à pintura que seria aprovada por Vieira da Silva e pelo nosso Corpora, naquela atmosfera mágica e pouco facilmente definível dos "nós-de-cana".
O rigor formal desta artista e a constante procura de um equilíbrio, revelada pela dosagem sábia da cor e por um tipo de cumplicidade entre a obra e quem a admira, enfatizam o compromisso ao qual toda transcrição figurativa deve submeter-se para o prazer alegre e cativante do público.
A Libardi parece mais uma artista européia do que sulamericana, formada culturalmente no âmbito da reflexão existencial italiana, em seguida na onda da rarefação abstrata.
O slogan: cor-luz-movimento-expressão adapta-se às suas últimas, interessantes procuras".

Eraldo Di Vita ( crítico de arte contemporânea, nascido em Montecarlo-Lucca-Itália, em 1932, vive e trabalha em Milão)

 


Crítica de Arayr Ferrari (Escultor)

Luísa Libardi   tem primado por uma trajetória fecunda e coerente. Motivada pela paisagem local, veio amadurecendo, no caminho do figurativo. Sua predileção levou-a a deter-se no universo dos canaviais. Foi enfocando exaustivamente o todo e destacando o detalhe, imprimindo sempre sua visão personalizada.

Tanto perseverou que, agora , num processo decorrente e natural , desvencilhou-se da rigidez da figura . Livre do rigorismo, mas fiel ainda ao seu devaneio temático, leva-nos a um passeio interativo pela sua trama criativa, enredando-nos na sutileza poética do azul dos céus límpidos, no clima feérico vermelho das queimadas ao crepúsculo, no amarelo contundente dos sóis a pino, no quase - fetiche do verde corpóreo das canas e no caminho negro das palhas carbonizadas.

Isso tudo, com o mérito maior de quem atinge o limiar da magia: a linha divisória entre o insinuado e o palpável. Em resumo, numa linguagem nova, Luísa aprendeu a retratar o seu quintal. E, definitivamente, já pode pintar o mundo.



Crítica de Cássio Padovani
(artista plástico e professor de história de arte)


O motivo recorrente das canas na produção de Luisa Libardi remete à compreensão da importancia que esses segmentos podem ter para a sua pessoa e despertam relações como bocados de vida, estações ou ainda imagens similares a colunas vertebrais; de um gomo contemplado em tempos de ruptura, de firmes opções por mudanças, as imagens se sucedem fertilizadas por uma identificação inconsciente. No processo criativo, nas reelaborações e incorporações dos acasos, no percurso fundamentalmente cromático da germinação à queimada, onde a linha de sombra costura intervalos em direções inclinadas, uma tranquilidade pessoal se afirma e espiritualiza e aqui está a meus olhos a metamorfose do gomo à energizada trama das fibras, da visão natural à que parece microscópica, da figuração à abstração, do volume à ausência deste mas sempre permanecendo o espaço pelos avanços e recuos das cores até as proximidades do padrão.




topo